Origem: Livro: OS DIAS INICIAIS DO MOVIMENTO DOS ASSIM CHAMADOS “IRMÃOS”
Texto Escrito por Dr. Edward Cronin
Tendo uma lembrança muito definida das coisas que aconteceram antes de tudo o que foi escrito por nosso amado J. G. Bellett sobre os caminhos de Deus para conosco no início deste movimento, gostaria de acrescentar algumas observações.
Eu havia sido enviado do sul da Irlanda para Dublin por motivos de saúde e era um dissidente (Independente); e um visitante era bem-vindo por todos os grupos dissidentes ali. Essa liberdade continuou até que descobriram que me tornara residente em Dublin. Fui então informado de que não poderia mais partir o pão com nenhum deles sem uma membresia especial. Isso me deixou separado deles por vários meses e, depois, sentindo-me impedido de participar de suas reuniões, pelo crescente sentimento de oposição ao ministério de um único homem, fiquei exposto às acusações de irreligião e antinomianismo[2].
[2] N. do T:. Estritamente, antinomiano é aquele que se opõe à recomendação às boas obras em virtude de uma visão pervertida das doutrinas da graça; mas o termo também é falsamente aplicado àqueles que se reconhecem livres da lei dada por Moisés por meio da morte de Cristo (Rm 7:4; Gl 2:19). Por outro lado, houve, e sem dúvida há, alguns que negam as boas obras como um fruto necessário da graça no coração: a graça, assim como tudo o mais, tem sido abusada pelo homem. Dicionário Bíblico Conciso. ↑
Isso me afetou profundamente, sendo um período de profundo exercício de coração e separação de muitos que eu amava no Senhor; e, para evitar a aparência do mal, passei muitas manhãs do dia do Senhor debaixo de uma árvore ou de um monte de feno durante o período das reuniões. Havendo meu nome sido publicamente denunciado em um de seus púlpitos (o do Rev. W. Cooper), um de seus diáconos, Edward Wilson (secretário adjunto da Sociedade Bíblica), sentiu-se compelido a protestar contra essa medida, o que acabou levando à sua saída também.
Assim separados, nós dois nos encontramos para partir o pão e orar em um de seus aposentos, até sua partida para a Inglaterra.
Nessa ocasião eu não estava sozinho. As duas senhoritas Drury, minhas primas, seguiram o mesmo caminho, e também deixaram a capela do Rev. C., de onde eram membros; também o Sr. Tims (livreiro na Grafton Street), e se encontraram comigo na sala dos fundos da minha casa na Lower Pembroke Street. Isso então tornou-se notório por toda redondeza, e um e outro foram afetados pela mesma verdade, que era a unidade do corpo; a presença do Espírito Santo também foi vista por nós com muita clareza. Aqui H. Hutchinson nos encontrou e nos ofereceu o uso de sua grande sala em Fitz William Square.
Nesta época J. G. B. e J. N. D. estavam mais ou menos afetados pelo estado geral das coisas no mundo religioso, mas não estavam preparados para sair em completa separação, e olhavam com desconfiança para nosso movimento, ainda capazes de frequentar e ministrar na Igreja da Inglaterra, bem como comparecerem ocasionalmente à nossa pequena assembleia.
Logo começamos a sentir, à medida que irmãos mais humildes se ajuntavam a nós, que a casa em Fitz William Square era inadequada, o que me levou a alugar uma grande sala de leilões na Angier Street para nosso uso aos domingos e, oh! que abençoados momentos para minha alma, com J. Parnell, Wm. Stokes e outros, enquanto afastávamos os móveis e púnhamos a mesa simples com o pão e o vinho no sábado à noite – momentos de alegria que jamais serão esquecidos, pois certamente tínhamos o sorriso e a aprovação do Mestre no testemunho de um movimento como este.
Nessa época, G. V. W. nos visitou vindo da Inglaterra, com a intenção de se juntar ao grupo da Missão em Bagdá. Daquela época até minha saída de Dublin (1836), houve acréscimos contínuos de Cristãos evangélicos, todos nós com muito pouca inteligência quanto ao caráter real do movimento de Deus entre nós.
A membresia especial, como é chamada entre os dissidentes, foi a condição primária e mais ofensiva para nossa mente, de modo que nossa primeira assembleia foi realmente marcada como um pequeno grupo de descontentes evangélicos. Todos nós nos sentimos livres até este momento, e muito tempo depois, para fazer arranjos entre nós, por meio do Sr. Stoney, sobre quem deveria distribuir o pão e o vinho, e assumir outros ministérios na assembleia. Também fomos, por ignorância ou indiferença, descuidados quanto à consciência e ao cuidado piedoso de uns para com os outros. Sou levado a fazer essa observação devido à frequência com que alguns dos primeiros irmãos que agora estão separados de nós nos acusam de nos afastarmos dos primeiros princípios em nossas ações atuais. No entanto, estou convencido de que, mesmo naquela época, não teríamos mais tolerado a falsa doutrina mais do que agora. O conforto de muitos que nos amavam, mas nunca se encontravam conosco, era nossa firme ortodoxia no que diz respeito ao mistério da Divindade e à doutrina da Graça e Piedade.
Gostaria de observar aqui um aspecto do caminho de Deus no início deste movimento, como em e por meio de indivíduos desconhecidos, e em lugares distantes e posições diversas, a essência de Sua graça e verdade habitava em nós; e embora, como disse antes, com pouca inteligência, nos conduziu por caminhos mais ou menos agradáveis à mente de Deus. É impressionante que aqueles irmãos capazes e honrados, J. N. D., J. G. B. e G. V. W. não constituíram o embrião disso, embora Deus os tenha usado, e continue a usá-los, na inteligência divina e no desenvolvimento de princípios quanto à Sua Igreja etc.
Repeti um pouco sobre este ponto, devido à acusação mencionada acima; enquanto os caminhos de Deus para conosco eram, e ainda são, uma revelação gradual de Sua verdade, descoberta para nós em vários detalhes práticos. De modo que aquilo que no início não era maior, por assim dizer, do que a mão de um homem (quando éramos poucos em número, fracos e deficientes em entendimento – veja 1 Reis 18:44), expandiu-se para atender às necessidades de milhares, reunidos sob os mesmos princípios e para louvor e glória de Sua graça.
Edward Cronin
